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O Futuro da Humanidade e a Atividade de Micael (Andrea D’Angelo )

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Qual é a relação do ser humano, em seu estágio atual de desenvolvimento, com Micael e os seus?

Em uma etapa evolutiva inicial, o ser humano se encontra e faz parte de um mundo divino-espiritual em que tudo era essencialidade.
 
Na etapa evolutiva seguinte tal essencialidade para a ser e viver através da Manifestação ou Revelação cósmica desse divino-espiritual. Naqueles tempos, a atividade divino-espiritual se revela pela posição e movimento das estrelas, pelo brilho do mundo estelar. Nestas duas etapas evolutivas, assim chamadas essencialidade e revelação, Micael vivia totalmente em seu elemento sem qualquer resistência. Micael intermediava a relação entre o divino-espiritual e o ser humano.
 
Até que vieram outros tempos. O mundo estelar deixou de portar em si a atividade divino-espiritual imediatamente presente. Esta atividade espiritual que antes se manifestara, continua a persistir, a fazer-se perceptível e viva.
 
O divino-espiritual vive no cosmo, porém não mais como revelação e sim como Atuação. Surgiu uma nítida dualidade entre divino-espiritual e cósmico. Micael se mantém no divino-espiritual em função de sua própria entidade e natureza, e procurou manter o homem o mais próximo possível do divino-espiritual, e ainda hoje o faz. O homem seguiu seu percurso junto ao cósmico. Micael queria poupar o homem de viver tão intensamente em um mundo no qual não havia mais essencialidade nem manifestação, apenas atuação do divino-espírito. Ao completar sua vida entre morte e um novo nascimento.
 
O ser humano inicia um caminho estelar para sua nova vida na Terra, ao completar sua vida entre morte e um novo nascimento, buscando a harmonia entre o percurso estelar sua vida terrena. Naquele tempo, tal harmonia era evidente: o divino-espiritual atuava nas estrelas e é de onde a vida do ser humano também se origina. Hoje, porém, o ser humano deve buscar esta harmonia, e o curso estelar é simplesmente atuação do divino-espiritual.
 
Ao conseguir manter, “através do ser humano”, o mundo estelar unido ao mundo divino-espiritual, Micael sente a mais profunda satisfação.
 
O ser humano leva, resguardado em si, o divino-espiritual para uma relação com as estrelas. O que está resguardado é uma repercussão de um tempo anterior, do que antecedeu. É a partir disso que se estabelece algo divino na relação entre o ser humano e o mundo (correspondente a épocas anteriores e que no entanto, irão se apresentar em épocas posteriores). Que isto seja assim, é uma Ação de Micael. Com isto, Micael tem em si uma parte de seu elemento vital, de sua energia de vida e de sua vontade de vida solar.
 
Contudo, hoje, ao dirigir seu olhar espiritual para a Terra, ele vê ainda outro fato importante. O ser humano está, durante sua vida no físico, entre o nascimento e morte, circundado por um mundo que espontaneamente também não mostra mais a atuação do divino-espiritual mas apenas, o quê desta atuação permaneceu; pode-se dizer assim, apenas a Obra do divino-espiritual. Esta obra é, em suas formas, certamente de natureza divino-espiritual. Para a contemplação humana são mostradas nestas formas e nos acontecimentos naturais, o Divino; no entanto não é mais intrinsecamente como algo vivo. A natureza é esta (divina) obra do Divino e, por toda parte, é imagem da atuação divina. O ser humano vive neste mundo divino solar que, por sua vez, não é mais um mundo divino vivo.
 
Lembremos que, como resultado da ação de Micael, o ser humano tem em si, resguardada, a inter-relação e a conexão com o ser divino-espiritual. Assim o ser humano vive como um ser permeado por Deus em um mundo não permeado por Deus.
 
Pois é neste mundo “esvaziado” de Deus, nesta época, que o ser humano deverá trazer aquilo que é e está, como qualidade intrínseca, em sua própria entidade.
 
A humanidade irá se desenvolver para uma evolução do mundo. O ser humano pode como entidade humana, que cosmicamente se expande, trás - iluminar com seu divino-espiritual interior, o cosmo que até então apenas ocorre como imagem do divino-espiritual. Não será, portanto, a mesma entidade que outrora estava unida ao cosmo que brilhará através da humanidade. O divino-espiritual irá vivenciar, na passagem pela humanidade, um ser que jamais havia se manifestado.
 
Os poderes arimânicos se tornarão contrários ao progresso desta evolução assim configurada. Eles não querem que os poderes e forças divino-espirituais originais iluminem o universo em seu progresso subseqüente. Eles querem sim, que a intelectualidade cósmica, sugada Poe eles, irradie através de todo o cosmo e que o ser humano continue vivendo neste cosmo intelectualizado e arimanizado.
 
Desta maneira, em uma tal vida, o ser humano perderia o Cristo.
 
Cristo, por sua vez, entrou no mundo com uma intelectualidade que é totalmente fiel àquela que viveu no divino-espiritual, quando ainda moldava o cosmo com sua intelectualidade (podemos chamar de intelectualidade cósmica).
 
Hoje falamos de maneira que nossos pensamentos poderiam ser os de Cristo. Através disto, colocaríamos algo defronte aos poderes arimânicos e que nos protege de sucumbir a eles.


(desenho) SÃO MICAEL E O DRAGÃO – DAVID NEWBATT (ABERDEEN)



CERTAMNETE COMPREENDER A Missão de Micael no cosmo significa poder falar exatamente desta maneira. Atualmente deve-se poder falar da natureza de tal maneira, que a etapa de desenvolvimento da alma da consciência seja fomentada e seja trazida à luz. Deve-se poder acolher a forma de pensar da ciência natural. Porém, deve-se também aprender a falar sobre a natureza – isso quer dizer sentir – de acordo com Cristo. Não devemos aprender a linguagem de Cristo meramente pela redenção da natureza, nem meramente através da alma e do divino, mas através do cosmo. Para que a relação humana permaneça resguardada com o original divino-espiritual, para que nós homens compreendamos a cuidar da linguagem de Cristo através do cosmo, devemos sentir com o interior pleno do coração e nos familiarizar com o que é Micael e os seus, com suas ações e com sua missão.
 
Portanto compreender Micael significa hoje encontrar o caminho o LOGOS, vivido por Cristo entre os seres humanos na Terra.
 
A Antroposofia valoriza o que o modo de pensar científico-natural aprendeu a dizer ao longo dos séculos acerca do mundo. Além desta linguagem, ela fala também sobre a essência do ser humano, sobre a evolução do ser humano e o devir do cosmo.
 
Antroposofia quer falar as linguagens de Cristo e de Micael.
 
Se estas duas linguagens estiveram sendo faladas, a evolução não poderá ser corrompida e passar ao âmbito arimânico antes de encontrar o divino-espiritual original.
 
A maneira de falar meramente científico-natural corresponde ao desprendimento e distanciamento da intelectualidade do seu contexto divino-espiritual original. A intelectualidade cósmica pode se desviar para o âmbito arimânico sim, se a missão de Micael não for correspondida pelos seres humanos. Mas, ela não vai se perder no arimânico, se o intelecto livre se reencontrar, pela força exemplar de Micael, na intelectualidade cósmica original, que está resguardada na fonte do ser humano e que apareceu, em sua plena essencialidade, no Cristo.
 
A partir do momento na evolução em que o ser humano desenvolve a liberdade trona-se sua responsabilidade o encaminhamento desta intelectualidade cósmica. Isso quer dizer que esta intelectualidade pode retroceder ou seguir seu desenvolvimento.

 

Reflexões baseadas e trabalhadas em o futuro da humanidade e atividade de Micael – Goetheanum, 25 de outubro de 1924, nas Máximas Antroposóficas – O ministério de Micael, Rudolf Steiner. Apostila da Sociedade Antroposófica no Brasil, pág 17 – II – GA 26.
 
(Texto publicado no Boletim da Sociedade Antroposófica no Brasil, Boletim 55, Época de Micael, Ano XVI 2009)